1968 - O ANO QUE, para muitos, ACABOU o sonho!

 

Hoje (19/5), uma segunda  como outra qualquer, de ressaca, ao ler um artigo do cartunista Miguel Paiva, no O Globo, não pude deixar de pensar onde e como estávamos.

Foi um ano de alegrias e tristezas, como qualquer ano.

Tristeza porque faleceu minha maior fã, minha mãe. O Castelo me comunicou sua morte sete dias depois; tá bom que as comunicações eram ruins, mas não ter um parente para passar um telegrama, que cambada de filhos da puta! A única homenagem que lhe pude prestar foi fazer um soneto parnasiano, com versos alexandrinos, mas que perdi o original e só lembro a primeira estrofe.

Acho que o 01 era o Zazá e estávamos inaugurando o H-8, "veteranaços" e já "maceteadíssimos" nas lides da caserna;

o Azzi que morava na mesma célula se organizava para ficar "répi" lendo dezenas de livros de bolso e ostentando seu vistoso Seiko;

o Bizzi continuava a perturbar o Santilli, que já não vendia mais seus relógios Sicura, mudando o produto de sua camelotagem;

Ismaelho nos seus diários Vis prometendo amor eterno para alguma camofa que lhe fizesse um cafuné; Nei Furo, o lindo, serpenteava no salão com sua bunda arrebitada e aos pés da Betinha;

o Drumond e o Santana já tinham amores antigos e privilégios na "zona"; com uma folguinha nos "Ps" eu podia dar VI com mais tranqüilidade;

uma mulata baiana, da Dora, me adotou como aluno e , no mínimo uma vez por semana'', me preparava para a revolução sexual que despontava no horizonte;

o 90 se divertia em deixar o Frank puto, ao espiar o colega "escabelando o palhaço";

Caladinho tinha comprado seus Rayban de AV, que conseguia ser maior que sua boca;

O Cosme aparelhou seu apartamento com o som de uma eletrola portátil e discos do Vinícius, Johnny Mathis etc. e tal;

dei um "flagra" no Adérito alisando o Brandão;

O Oswaldão, acho que era o presidente da Sociedade Acadêmica (êta nome bonito!) recusou minha denúncia de pederastia;

O cassino ficou mais cheio porque os 67 já podiam freqüentá-lo (quem botou o trema foi o corretor, eu já aboli);

O 317 fazia sucesso com sua guitarra no conjunto dos précadetes. Uma vez por mês, no almoço dos aniversariantes (acho que admitiram o Rancho Alegre)tinha o conjunto da banda tocando um arremedo de Aldhilá;

O 05 arranjou uma encrenca, não lembro mais qual, e foi preso incomunicável, sendo desligado antes do fim do ano.

 

Vivíamos com os culhões na cabeça, também pudera, era a idade em que os espermatozóides substituíam os neurônios.

Foi um ano melhor do que se estivéssemos nos Afonsos pois lá seriamos a” merda do rei”; foi um ano a mais de Camarão e menos um de Lebre. Outra alegria inusitada, se bem que sádica, foi a repetência do arrogante Ballim e sua conseqüente volta à BQ (hoje é meu amigo). A parte do ensino ficou um pouco prejudicada em função dos muitos anos que ficou sem o terceiro ano; física IV foi em apostilas do PSSC e os muitos novos professores eram desmaceteados para encararem os veteranos. Enfim, teve seus altos e baixos.

 

E quem quiser que acrescente mais...

Mas lembrei também que no final daquele ano fizemos mais um dos muitos exames médicos, sem saber que aí que morava o perigo.

Nossa turma, fomos descobrir ao chegar nos Afonsos, tinha ficado banguela de muitos irmãos. De estalo perguntei pelo Frank, Savigny, Pardal, Schorn e muitos outros que a cada dia ia dando falta. Quarenta anos não passam impunes e posso estar até errando a data da perda, mas de qualquer forma todos fazem falta, não importando a data que saíram. Como diria o padeiro: o sonho tinha acabado para eles!

 

66-218  Newton da Silva AYMONE