1968 - O ANO QUE, para muitos, ACABOU o sonho!
Hoje (19/5), uma segunda como outra
qualquer, de ressaca, ao ler um artigo do cartunista
Foi um ano de alegrias e tristezas, como qualquer ano.
Tristeza porque faleceu minha maior fã, minha mãe. O Castelo me
comunicou sua morte sete dias depois; tá bom que as comunicações eram ruins,
mas não ter um parente para passar um telegrama, que cambada de filhos da puta!
A única homenagem que lhe pude prestar foi fazer um soneto parnasiano, com
versos alexandrinos, mas que perdi o original e só lembro a primeira estrofe.
Acho que o 01 era o Zazá e estávamos inaugurando o H-8,
"veteranaços" e já "maceteadíssimos" nas lides da caserna;
o Azzi que morava na mesma
célula se organizava para ficar "répi" lendo dezenas de livros de
bolso e ostentando seu vistoso Seiko;
o Bizzi continuava a perturbar o
Santilli, que já não vendia mais seus relógios Sicura, mudando o produto de sua
camelotagem;
Ismaelho nos seus diários Vis prometendo amor eterno para alguma
camofa que lhe fizesse um cafuné; Nei Furo, o lindo, serpenteava no salão com
sua bunda arrebitada e aos pés da Betinha;
o Drumond e o Santana já tinham
amores antigos e privilégios na "zona"; com uma folguinha nos
"Ps" eu podia dar VI com mais tranqüilidade;
uma mulata baiana, da Dora, me
adotou como aluno e , no mínimo uma vez por semana'', me preparava para a
revolução sexual que despontava no horizonte;
o 90 se divertia
Caladinho tinha comprado seus Rayban de AV, que conseguia ser
maior que sua boca;
O Cosme aparelhou seu apartamento com o som de uma eletrola
portátil e discos do Vinícius, Johnny Mathis etc. e tal;
dei um "flagra" no
Adérito alisando o Brandão;
O Oswaldão, acho que era o presidente da
Sociedade Acadêmica (êta nome bonito!) recusou minha denúncia de pederastia;
O cassino ficou mais cheio porque os 67 já podiam freqüentá-lo
(quem botou o trema foi o corretor, eu já aboli);
O 317 fazia sucesso com sua guitarra no
conjunto dos précadetes. Uma vez por mês, no almoço dos aniversariantes (acho
que admitiram o Rancho Alegre)tinha o conjunto da
banda tocando um arremedo de Aldhilá;
O 05 arranjou uma encrenca, não lembro
mais qual, e foi preso incomunicável, sendo desligado antes do fim do ano.
Vivíamos com os culhões na cabeça,
também pudera, era a idade em que os espermatozóides substituíam os neurônios.
Foi um ano melhor do que se
estivéssemos nos Afonsos pois lá seriamos a” merda do
rei”; foi um ano a mais de Camarão e menos um de Lebre. Outra alegria
inusitada, se bem que sádica, foi a repetência do
arrogante Ballim e sua conseqüente volta à BQ (hoje é meu amigo). A parte do
ensino ficou um pouco prejudicada em função dos muitos anos que ficou sem o
terceiro ano; física IV foi
E quem quiser que acrescente mais...
Mas lembrei também que no final daquele ano fizemos mais um dos
muitos exames médicos, sem saber que aí que morava o perigo.
Nossa turma, fomos descobrir ao chegar nos
Afonsos, tinha ficado banguela de muitos irmãos. De estalo perguntei pelo
Frank, Savigny, Pardal, Schorn e muitos outros que a cada dia ia dando falta.
Quarenta anos não passam impunes e posso estar até errando a data da perda, mas
de qualquer forma todos fazem falta, não importando a
data que saíram. Como diria o padeiro: o
sonho tinha acabado para eles!
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