Reminiscências VI

 

Companheiros Domingo passado (31/01/99) foi um dia especial.

Após 30 anos de espera, falei ao telefone com o Sr. Ilson Olímpio da Silva.

Enquanto ouvia sua (dele) voz pausada, imaginava-o como da última vez em que o vi, no verão de 68/69: dentuço, inteligente, bom-caráter, cara-de-pau, filósofo, intrépido, conquistador.

 

Autor de frases inesquecíveis, como essa, em que repreendia a turma C2 por não se comportar adequadamente na aula de matemática do mestre Bianor:

'Não confundamos Nabucodonozor com NabanocudeBianor'.

Dita por ele, a frase tinha um efeito sonoro, no mínimo, bizarro.

Ao fugir da boca, o som batia nos dentes da frente e chegava aos ouvidos da rapaziada meio deformado. A frase acima tinha essa aparência: 'Não confundhhmus Nabucdhnzor cm NabnudhBianrr'.

Ao ouvi-la, mestre Bianor interrompia sua demonstração do termo genérico de uma PG, esboçava um sorriso contido, e convocava um voluntário para o quadro-negro, enquanto ganhava tempo para afrouxar o cinto. O desvio de sonoridade era provocado por uma pequena anomalia nos dentes frontais: eles tinham 45 (quarenta e cinco) graus de inclinação e, não obedecendo ao comando de COBRIR, estavam sempre fora do alinhamento.

Essa pseudo-desvantagem não o impedia de fazer sucesso com as mulheres, fossem elas damas da classe AA ou profissionais do sexo.

 

Somente para se ter uma idéia, permitam-me divulgar minha versão do seguinte fato:

São João del King, 1968. Desculpem, mas não posso ir em frente sem a autorização do meu amigo-herói.

 

Joner 66-003