Reminiscências
I - Baile
da AEPCAR, C.Aer, Rio, 19/09/98.
Estávamos
à mesa (e não na mesa):Vil(cek), Franklin e eu. En passant, Vil(cek) fez uma
breve citação à "explosão de uma caldeira" do rancho da escola. Fiquei
"encafifado" com aquela porra.
Acendi as velinhas de meu pensamento... (um
parêntese:essa expressão "acender as velinhas do pensamento é criação do outrora
precadete Alexandre Chaia Neto (66-080).
Com
ela, Chaia iniciou sua exposição de 10 minutos, valendo estanino, sob um
determinado tema que agora não me lembro. Ensaiou uma porrada de vezes. Quando
eu tava de bobeira perto dele, era convocado para servir de ouvinte-cobaia.
Dizia ele: "03, eu vou começar minha apresentação assim:
"meus amigos, vamos
acender as velinhas de nosso pensamento..." não, não tá bom.
"MEUS AMIGOS, É
BOM QUE SE ACENDA AS VELINHAS DE NOSSO PENSAMENTO..."
porra, a entonação tá
boa, mas o sujeito tem que concordar com o verbo.
"PRECADETES, É BOM QUE SE
ACENDAM AS VELINHAS DE NOSSO PENSAMENTO...""
O que vinha depois eu
também não lembro. Mas não combinava coisa com coisa. E era uma puta suga
mental.Eu só concordava em fazer o papel de ouvinte-babaca por que, depois do
treino, Chaia prometia dar uma demonstração de sua força descomunal com um show
de "levantamento de lápis".O show exigia grande participação da platéia.
Ludovico Sabetudo, locutor oficial, dizia que Chaia era o "fenômeno” do
halterofilisomo mundial, tendo superado sua própria marca 24 vezes, erguendo
lápis, cadeiras, apagadores, e até uma bola de futebol". Silêncio, concentração
e empatia eram condições sine qua non. Primeiro, ele apalpava o objeto a ser
erguido, avaliando a dimensão da tarefa. Iniciado o espetáculo, Chaia emitia o
grunhido próprio dos grandes combatentes e, com a força que Deus lhe deu,
mergulhava no objeto, como Mike Tysson na orelha de Hollyfield.
Gravidade prá baixo, Chaia prá cima, nós sofrendo, gravidade prá baixo,
nós gritando, Chaia prá cima, nós apoiando. Sentindo a aproximação da vitória,
Chaia soltava um berro e levava o objeto à altura máxima. A galera, até então
sofrida, se desmanchava de prazer e ovação.Ludovico reassumia o comando e dizia.
"Este monumental apagador de 357 quilos é o recorde número 25 da carreira do
fenômeno.". Mas "essa é outra história", como dizia Shirley Mac Lane no filme
"Irma la Dulce" que passou diversas vezes no cinema da Escola. Por falar em
cinema, foi lá que eu conheci o sr. Julio Melchior Von Trompovki (ou
Pentelhovski).
Era pentelho mas não era burro. Às vezes, esperto demais. No
início de 66, eu o vi no cinema, dando uma de veterano. Com o bibico puxado à
frente, falando grosso e com a voz arrastada pelo catarro (acho que tinha uma
bronquite, a julgar pela cor do catarro; isso lhe dava mais credibilidade ao
papel de veterano fodão), ele transformou 2 voluntários em ventiladores
pessoais, fazendo-os refrescar o ambiente à base de sopro.
Eu pensei que ele
fosse um Repe padrão Cowboy. Passei a fugir dele como o diabo foge da cruz. Dias
depois, eu vi o Repe Fodão pagando 20 no alojamento para um repe verdadeiro. Só
então percebi que o pentelho era um bicho tão escroto como eu. Chamei-o no
canto, fizemos um acordo, ele me passou o know-how, eu andei aplicando uns
trotes sob sua supervisão. Depois, a rapaziada foi se familiarizando uns com os
outros, e tivemos de abandonar a idéia rapidinho, antes que entrássemos na
porrada.
Mas essa é outra história. Voltando à explosão da caldeira, eu
pergunto o seguinte:
a)Quem
participou do golpe?
b)Quais
os oficiais que adentraram o rancho?
c)Onde
andam "Catão" e Olímpio?
d)Quem
gritou: LÁ VEM A NABA?
e)Quem
introduziu a expressão NABA na turma e qual o seu real
significado?
f)Quem
foi atingido pela caldeira?
Joner
66-003